| Yoga, um propósito pra chamar de seu |
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Oi, tudo bem? Recentemente, li uma notícia de que existem, nos Estados Unidos, 15,8 milhões de praticantes de yoga e que, deste total, apenas 8% se diriam hindus ou budistas. Para um filosofia que chegou nestas paragens ocidentais há pouco mais de cem anos, parece um crescimento vertiginoso. Quando me pergunto a razão deste sucesso, olho para minhas próprias e encontro várias que explicam porque abracei o yoga para minha vida. Mas são apenas as minhas razões e certamente não são suficientes para explicar os motivos destes milhões de adeptos pelo mundo todo. Quando alguém vem procurar o yoga, raramente o faz porque quer conhecer uma filosofia, uma nova tradição cultural ou porque quer se aprofundar em sua prática religiosa através da meditação. Normalmente, as razões são a busca pela saúde e pelo relaxamento. Mas então, depois de um mês ou dois de prática - e se a pessoa se afinou com o estilo de yoga praticado - uma “mágica” acontece e ela começa a gostar de yoga não pelas razões que a trouxeram primeiramente, mas porque sente algo difícil de definir, que resgata um bem-estar esquecido em qualquer esquina da infância, uma paz desacostumada com o ritmo da vida moderna, um não-sei-quê de bom que ecoa na alma e faz a gente querer estar sempre ali, alongando-se, respirando, meditando. Este não-sei-quê que o yoga traz é a razão de sua universilidade e sucesso. Freqüentemente busco descrevê-lo aos meus alunos, mas não poderia tê-lo feito tão bem quanto nas palavras de Desikachar no livro O Coração do Yoga: “O yoga procura criar um estado em que estamos sempre presentes - presentes mesmo - em todas as ações, em todos os momentos.”(pg. 39) “O yoga tem as suas raízes no pensamento indiano, mas seu conteúdo é universal, porque trata dos meios pelos quais podemos realizar as mudanças que desejamos em nossas vidas.” (pg. 40) Estar presente é uma das coisas mais difíceis da vida. Já é difícil estar em qualquer lugar que se queira, quanto mais de corpo e alma presentes. Mas, na prática do yoga, acontece de estarmos inteiros, unindo, na execução de uma postura, a posição assumida pelo próprio corpo, a respiração, a atenção da mente e a percepção de que tudo isto está ocorrendo ao mesmo tempo. É isso que Desikachar chama de “estar presente”. Quando eu era adoscelente, em 1989, um filme fez muito sucesso trazendo reflexões em torno da máxima “carpe diem“, ou seja, viva o dia de hoje, aproveite a vida. Foi Sociedade dos Poetas Mortos, com Robin Williams no papel do professor Keating. A história, para quem não se lembra, era de um professor que chegava a um conservador colégio de meninos para ensinar literatura. Fugindo às convenções impostas pela rígida disciplina escolar, o professor ensinava seus alunos a pensarem por si próprios e a fazer que cada dia de suas vidas valhesse a pena, vivendo-o intensamente. O que me fez lembrar deste filme e relacioná-lo com yoga é justamente esta capacidade que o yoga tem de nos ensinar o “carpe diem”. Freqüentemente, lamentamos o tempo perdido no passado, nos sentimos angustiados com aquilo que não conseguiremos fazer no futuro. Mas quando é que paramos apenas para desfrutar o momento presente? Viver o momento presente, integralmente, é tão raro, que mesmo que ele não seja agradável, acabamos por desfrutá-lo, porque a sensação é libertadora. E esta sensação, libertadora, é o que nos motiva para a mudança, porque nada pode ser mais motivador do que a liberdade plena. Este pensamento me faz lembrar de outro filme, mais contemporâneo, de 2000, chamado Do Que as Mulheres Gostam, com Mel Gibson e Helen Hunt. Lembro da cena em que eles estão construindo o comercial da Nike e ela imagina uma mulher correndo, sozinha, ouvindo o som de seu tênis tocando o solo. “Just run“. Neste slogan, também vejo uma lição do yoga, porque neste momento, a mulher do comercial está inteiramente presente em sua corrida, libertando-se de todas as suas amarras. Já conversei com alguns atletas amadores que também praticam yoga e me contaram que experimentam, em determinada momento de seu treino, uma sensação de fusão entre seu corpo, sua mente, o movimento que realizam e o ambiente que os circundam. É como se estivessem meditando. Isso, para mim, também é yoga. Quem sabe não é por isso é que o yoga venha atraindo mais e mais adeptos? Porque estamos à procura de algo que nos ajude a mudar - “just run” - , e à procura de algo que faça sentido - “carpe diem”. O yoga oferece os dois. É uma metodologia completa e ainda propõe um jeito de se viver. É um propósito para se chamar de seu. Boas reflexões. Fique bem. Com carinho, Mayra C. Castro (Navrattna Yoga - Curitiba) O link dele é http://www.navrattna.com.br/blogs/juveve/?p=70 |