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Yoga, uma religião moderna? | Yoga, uma religião moderna? |
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Se eu fosse questionado sobre se Yoga é uma religião, diria "depende!". No sentido usual do termo "religião", diria que não. Mas também não acho que o sentido usual de "yoga" fala muito sobre Yoga. Porém creio que há sim uma maneira que podemos definir religião e yoga de forma que ambos conceitos caminhem juntos. E, de certa forma, creio que é justamente nesta definição sobreposta que o Yoga parece estar ganhando terreno popular como uma forma de autoconhecimento. Ao tentarmos encaixar o conceito usual de religião no Yoga, percebemos que não se sobrepõe na parte de ser um fenõmeno humano controlado por uma instituição organizada ou formalizada, não possuir dogmas e axiomas não-verificáveis, liturgias padronizadas e não ter escrituras sagradas únicas. Por outro lado, Yoga trata de aspectos do universo que transcendem a individualidade, a sociedade e as leis humanas. Para entrarmos na pergunta do título, se Yoga é uma religião moderna, diria que esta pode ser, mesmo que numa visão simplista ou indireta, a idéia que muitos tem desta tradição milenar hoje em dia. Muitos buscam no Yoga somente o bem-estar físico. Mas creio que mesmo muitos destes "malhadores" ou "relaxadores" também sentem uma pitada introspectiva no Yoga, que é diferente de outras práticas de relação com o corpo físico, que eu diria ser um interesse embrionário para o autoconhecimento. Outra ponto é que estas pessoas que tem uma busca no Yoga mais imediata e densa, juntamente com outras mais espiritualizadas, dentro da nossa cultura urbana atual, provavelmente tem uma boa dose individualista. E, de certa forma, o Yoga tem um apelo bastante individualista: propõe que você pode se resolver com o que já tem dentro de si. Há tradicionalmente um papel fundamental do guru, mas este é um espelho do ser desperto que já temos conosco, que é o ponto que quero enfatizar aqui. Estamos cansados de palavras firmes sobre nós que não podem ter uma realidade em nossa experiência cotidiana. A minha leitura sobre o fenômeno do Yoga pode parecer exagerada quanto à profundidade que as pessoas de fato percebem no Yoga, mas sinto que, mesmo sem se darem conta, é algo neste sentido. Acho que ainda teremos muitas abordagens do Yoga de forma mais superficial, valorizando certas técnicas como exercícios com o corpo físico de forma exagerada ou mesmo trabalhos que se focam numa cultura de comportamento para a comunidade yogue, como se isto fosse um fim em si mesmo - aqui incluem-se os estímulos à sociedade de consumo yogue. Porém, por mais que estas leituras possam prestar um contra-serviço, são também leituras válidas desde a profundidade que cada um tem do Yoga e um reflexo natural da cultura fora do Yoga. Até o ponto onde percebemos que algumas práticas usuais de nossa sociedade de consumo não são compatíveis com o avanço da prática de Yoga e deveremos tomar algumas decisões sobre nosso rumo. Mas aqui entramos na parte menos popular do Yoga, tema para outro texto. Acesse: www.yogashala.com.br e www.devi.com.br Rodrigo Gomes Ferreira é professor de Vedanta e Meditação no Yogashala. |
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